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terça-feira, 8 de março de 2011

Da dor de ser mulher


Ela

Não teve alternativa
E  assumiu todas as dores
A dor da injustiça
A dor da incompreensão
A dor da violência
A dor do preconceito
A dor da violência
A dor da discriminação



Ao lutar pela felicidade
Conheceu o sofrimento
Ao optar pelo prazer foi apedrejada
Ao escolher a liberdade foi queimada
Ao reclamar  seus direitos  foi abandonada

Benditas sejam as Marias
As rainhas loucas e santas
As de todas cores
As de todos os credos
As poetas e mártires
São luzes para o remediável.

Dor é crescimento
Quem não passou por ela
Não viveu.

Fátima Campilho


Imagem: Fram

sábado, 25 de dezembro de 2010

É Natal


É Natal!
Para uns, tempo de fartura, alegria, saúde e harmonia.
Para outros, fome, tristeza, saudade, doença e desunião.
Impossível deixar de lado uma reflexão dessa natureza e optar por palavras vazias e sem sentido para aqueles que sofrem.
Escolhemos paliativos. Distribuímos brinquedos, roupas, cestas de alimentos, enquanto a vida segue sem a  magia de uma noite que poderia ser mesmo feliz para todos.
Ficamos mais sensíveis neste período de festas e participamos da hipocrisia geral confraternizando com quem não gostaríamos. Como é difícil perdoar.
No entanto, é esse o verdadeiro sentido do Natal.

Quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que também vosso Pai que está no céu, vos perdoe as vossas ofensas.
Marcos 11-25

Ninguém aqui na terra é dono da verdade. Ela pertence a quem nasceu e morreu por nós: Jesus.
ELE é a luz, a paz, o perdão, o amor incondicional.

“ Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.”
João 14, 6

Renovei minha  fé porque a Maria foi dada a graça de conceber o filho de Deus.

“ Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus.
 Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai;
 e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.”
Lucas 1, 33-35

Deixei-me envolver com alegria nesta Santa Noite pelo o amor de JESUS e venho anunciá-lo.

“hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor”.

Lucas 2, 11


E é dia de visitar o presépio e devolver ao MENINO o nosso coração confiante.
Afinal, somos filhos da LUZ.
É Natal!

´

Esse vídeo foi feito com carinho para meus pacientes amigos, leitores e seguidores!


Imagens: Web Gallery of Art e Os Botões de Madrepérola
Música: Concerto Grosso Op.6 N.8 de Arcangelo Corelli in 4Shared

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

E como gosto de histórias!


Olhem  o cartão de Boas Festas que recebi hoje do Museu da Pessoa!
Como gosto de ouvir, ler e contar histórias.
Sem a minha história de vida,  eu nada seria, nem você, nem ninguém.
Quisera ter tempo para escrever e publicar todas elas.
Curioso é que reli nesta semana Minha casa conta histórias  e, mais uma vez, as lágrimas rolaram.
Quem sabe a minha história e de milhares de pessoas possa servir de inspiração para a sua!


terça-feira, 20 de julho de 2010

Amigos são estrelas




"Os verdadeiros AMIGOS são como as estrelas. Nem sempre os vês, mas eles estão sempre lá..."

Não sei quem é o autor e não importa se é frase feita.
Hoje estou sentindo muitas saudades dos meus amigos de todas as fases.
Dos de sorriso solto, dos sérios, dos simpáticos, dos carinhosos, dos tímidos, dos solícitos e até dos chatos.
Daqueles que dividiram suas dores e alegrias ou que guardaram seus segredos.
Nem sempre estive presente e muitas vezes experimentamos  o sofrimento da espera e da solidão.
Somos todos diferentes e é bom que seja assim.
Sou grata a todos pelo olhar de consentimento, pelo abraço apertado, pelas palavras de apoio, pelas atitudes, pelas orações, pelos silêncios, sorrisos e lágrimas.
Vocês são as estrelas que Deus enviou para que eu siga com esperança essa trilha misteriosa da existência humana.



segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sobre Lobato

Essa é a última edição de Memórias de Emília de Monteiro Lobato, livro lido aos nove anos e que guardo até hoje. A capa era outra. Quer mesmo vê-la e saber como veio parar em minhas mãos? Clique aqui. Certa vez, disse que sou parecida com a personagem e para ser igual só se fosse costurada pela Tia Nastácia. Leia aqui.

A questão hoje é outra. As crianças não leem Lobato!
Quais seriam os motivos? 
Sempre tive minhas respostas baseadas na prática,  porém não sou especialista no assunto.
Resolvi expor o que alguns escritores pensam. Acompanhem.



"Quem inventou literatura infantil no mundo se chama Monteiro Lobato. 
Lobato vem do ambiente rural e ainda faz suas histórias nesse ambiente. Então, é difícil a criança de hoje, que não sobe mais num pé de jabuticabeira, não é mais picada por vespa na ponta do nariz, se identificar. É uma vida totalmente diferente."
Pedro Bandeira

"Uma grande obra literária dura muito tempo. Acontece no Brasil uma coisa triste: o ensino foi piorando e hoje as crianças de sete anos, que deviam estar lendo Lobato, não conseguem, porque ainda aprenderam pouco. A gente lia Lobato com essa idade. Hoje, a criança só vai ler correntemente ali pelos nove anos, e aí as histórias do Lobato já são infantis demais para ela."
Ruth Rocha

"As crianças não leem mais Lobato na escola simplesmente porque os professores não o leram. Quando dou curso para formação de docentes, proponho a leitura de suas obras e há uma revolução na vida deles. O imaginário sobre o autor era até então construído por fragmentos de livros didáticos e pelas duas versões para a televisão."
João Luís Ceccantini

"Monteiro Lobato, hoje em dia, é vítima da estreiteza dos temas transversais e dos parâmetros curriculares. Há professores que me perguntam: “Como vou indicar um livro onde a Emília chama a Tia Anastácia de preta beiçuda?” Tive ainda a experiência de ser questionada sobre como lidar com a questão ecológica em Caçadas de Pedrinho, pois as crianças matam uma onça. O policiamento e o ser politicamente correto incide no preconceito, ao omitir qualquer texto que revele qualquer manifestação de alteridade."

Marisa Lajolo

Fonte:UNESP

A escritora Fanny Abramovich participa do site Vidas Lusófonas com a biografia de Monteiro Lobato. Observem o trecho abaixo:

“Hoje, nas escolas, não armam mais fogueiras. Mas também não lêem o Lobato como deveriam... Encostaram, esconderam... As crianças o conhecem pouco e estão perdendo tanto... Culpa das mães e professoras preguiçosas com um texto mais longo, medrosas das cutucadas que ele dá, das esculhambações afiadas que passa e querendo tudo, menos crianças soltas e críticas como Pedrinho e Narizinho.

Este Sítio, uma possibilidade utópica de civilização harmônica, inteligente, atuante, onde todos querem se refugiar, é como diz a Emília : " O segredo, meu filho, é um só: liberdade. Aqui não há coleiras. A maior desgraça do mundo é a coleira. E como há coleiras espalhadas no mundo.
Beijos da eterna leitora do Lobato,
Alice”

Uma sugestão é apresentada diante desse quadro pouco animador.

"Talvez seja o caso de dessacralizar a obra, assim como Lobato fazia, ler de outra forma, com mais liberdade, pulando trechos, deixando a criança fazer seu próprio caminho."
Marisa Lajolo 

Querem apresentar outros motivos ou, melhor ainda, soluções?
O espaço está aberto!



quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Um Natal Especial



Amigo secreto, um curta emocionante de Marcio Salem com Laura Cardoso, Tuca Andrada e Bárbara Paz é o meu presente para todos os amigos secretos que passam por aqui à procura de histórias, ideias, livros e, sobretudo, da palavra que inspira sentimentos e atitudes cada vez mais distantes nesses novos tempos tão atribulados.

Solidariedade e perdão é o pedido do Menino Jesus nesta noite em que a maioria só pensa na ceia e presentes para os mais próximos. Reservem um minuto para agradecer o infinito amor do Criador.

Espero que todos tenham um Natal especial e abençoado.

sábado, 21 de novembro de 2009

Direitos da Criança



Uma cerimônia na ONU lembrou ontem os 20 anos de criação da Convenção dos Direitos da Criança. Há muitas conquistas, mas os desafios são maiores. Segundo o balanço realizado, quase 9 milhões ainda morrem antes de completar o 5º ano de vida, mais de 100 milhões não têm acesso à escola e 2,5 bilhões vivem longe do saneamento básico.
Representantes de 193 países estavam reunidos para procurar soluções urgentes, entre eles, Mayra Avellar Neves, moradora da Vila Cruzeiro no Rio de Janeiro e vencedora do Prêmio Internacional Criança da Paz, o Nobel dos jovens. Fiquei muito emocionada ao vê-la discursar ontem no Jornal Nacional, porque trago boas lembranças dos anos em que trabalhei em uma das escolas da comunidade com professores competentes e amorosos.
Ontem, divulguei todas as informações que obtive da Net no Twitter com links de vídeos do YouTube em outras línguas, menos em português. É incrível como o brasileiro não dá valor ao que é da nossa terra, principalmente quando o vencedor é pobre e negro. Ignorar os problemas não é o caminho e Mayra foi à luta, mesmo convivendo com a guerra na porta de casa.

Hoje, achei o que queria na Globo Vídeos. Era o cansaço do final de noite.



Saiba mais aqui.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Nada a comemorar



Dia do Professor
Pouco a declarar e nada a comemorar.
Lembro-me do tempo em que ensinar era bom.
Mesmo assim, perdi muitos alunos. Lamento não ter conseguido salvá-los.
Alguns se formaram e um segue uma bela carreira de militar.
Algumas são professoras, outras caixas de supermercado.
Outro dia, recebi a visita de um deles, veio me apresentar a mulher e o filho. Lembra com detalhes os meus cuidados. É motorista, compositor e cantor.
Foram milhares de alunos em trinta e três anos de magistério. A maioria está na luta.
Hoje, cada situação, cada história de arrepiar. A escola é um espelho.

Vejo muita teoria e pesquisa feita por quem não trabalhou com alunos em situação de risco social em escolas públicas de ensino fundamental.
Quem tem possibilidade de continuar estudando, não permanece. Fico pensando o que acontecerá com as próximas gerações se uma atitude urgente não for tomada.
Fui uma professora apaixonada e não me sinto mais feliz com a carreira.
Conto os dias que me restam para pedir aposentadoria. Perdi a esperança de dias melhores para a educação neste país. Mantenho a fé em Deus que há de dar coragem a quem não tem opção e precisa continuar.
Vou fazer o que mais gosto: contar histórias e mediar leitura em outros lugares. Conhecem aquele ditado: “santo de casa não faz milagre!”
Volto aos livros cansados de me esperar nas prateleiras, ávidos dos meus olhares apaixonados.

domingo, 11 de outubro de 2009

Leitura de Clássicos


"Clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, mais se revelam novos, inesperados, inéditos, quando são lidos de fato."

Ítalo Calvino

"Não vale a pena ler aos 10 anos um livro que não tenha o que dizer para quem o reler aos 50, em condições de fazer novas descobertas de releitura."

C.S.Lewis

Essas citações foram retiradas do livro Como e por que ler os clássicos universais desde cedo de Ana Maria Machado em 2006 quando, após a leitura, lancei o projeto "Revivendo os Clássicos" Sala de Leitura. Proporcionei às crianças e adolescentes do Ensino Fundamental um encontro com narrativas clássicas, não necessariamente as originais, mas histórias bem contadas, adaptadas ou reinventadas, para que ampliassem a visão de mundo e entendessem a literatura atual. Além dos livros, usei vídeos do kit da Multirio e filmes. O resultado foi ótimo. Mais uma razão para participar do debate ou acompanhar pelo site do Instituto Embratel.



Leitura em Debate: Por que é importante ler os clássicos?

No dia 15 de outubro, quinta-feira, às 16 horas, acontece a quarta edição do Leitura em Debate, em 2009. Em seu segundo ano, o projeto traz três convidados, a cada encontro, e conta com a mediação da escritora Anna Claudia Ramos. O programa traz o tema “Por que é importante ler os clássicos?” e tem a presença de Fernando Nuno (editor e escritor), Márcia Cabral (professora da UERJ e membro da Comissão Carioca de Leitura) e Pedro Bandeira (escritor). Os encontros mensais do Projeto Leitura em Debate discutem a formação de novos leitores e a literatura infantil e juvenil em seus diversos aspectos. Para isso, escritores, ilustradores, professores, editores, contadores de histórias, teóricos, psicólogos infantis, produtores culturais e pais são convidados para participar, mostrando os diversos olhares que compõe a busca por uma literatura de qualidade e pela formação do leitor.

O Leitura em Debate acontece no Auditório Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional (Rua México, S/N. Fundos da BN. Entrada pelo jardim).

Quaisquer informações adicionais podem ser obtidas por meio dos telefones (21) 2220-2356 ou (21) 2220-2599. O contato também pode ser feito pelo e-mail eventos@bn.br.

sábado, 3 de outubro de 2009

Olimpíadas 2016



Inacreditável!

Não esperava que sairíamos vitoriosos nesta empreitada. Nossa bela cidade tem tantos problemas. O mais grave é a falta de educação. Querem um simples exemplo? Quando atravesso a rua, tenho a impressão de que o motorista, ao me ver, ao invés de reduzir a velocidade, acelera!

Sem dúvida, o carioca é muito simpático, no entanto, com a violência atual, até desconfio quando alguém se aproxima com muitos sorrisos. A desigualdade social é uma vergonha nacional. Tem bolsa para tudo! Quem se interessa por trabalho quando pode obter dinheiro fácil? Não podemos cerrar os olhos e fazer de conta que nada acontece. Transformar favelas em bairros sem combater as causas não vai resolver a situação. Imaginem como a população vai aumentar até lá.

Mesmo assim, preciso ter esperança. Haja projeto social e educativo para reverter o medo que este povo alegre e caloroso tem de sair às ruas. Tem gente que diz que já se acostumou. Não creio. Enfrentamos tudo como guerreiros, porque é preciso trabalhar, estudar, buscar lazer, alimentar o corpo e alma.

Educação é a solução. Todos sabem e nada fazem. #prontofalei

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Vida que segue

Pôr-do-sol no Rio São Francisco
Piaçabuçu - AL
Imagem de Fátima Campilho


"De tudo ficam três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto, devemos
Fazer da interrupção um novo caminho...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro..."

Fernando Sabino
In Encontro Marcado



Sou forte. Não desisto. Não desanimo.
Procuro a última gota que refresca a face cansada.
Encontro o ponto de luz que recarrega a energia quase perdida.
Mantenho a fé.
Deus seja louvado.

domingo, 26 de julho de 2009

Muitos anos de vida



"Somos todos escritores, só que alguns escrevem e outros não."
(José Saramago
)




Ontem foi Dia do Escritor e se Saramago tem razão estou perdida.

Foi também dia de São Tiago e São Cristóvão. "Fiz anos" e sinto-me protegida.

Olhem só que mensagem legal recebi no Orkut.


Mania de Scraps

Tomara que eu tenha ainda muitos anos para me arrepender!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Theatro Municipal faz 100 anos


Imagem

Eu devia ter ido.
Hoje tive um dia intenso de trabalho. O cansaço e a distância impediram minha ida ao Teatro Municipal nesta noite.
Lembro-me de pelo menos três vezes em que entrei neste suntuoso teatro. Uma para assistir à ópera Carmem, outra para vibrar com o ballet O Quebra Nozes e a primeira de todas foi quando depositei minha emoção e esperança na profissão que escolhi. Isto aconteceu durante minha formatura sem anel e sem fotos aos dezessete anos. Lá estavam meus pais orgulhosos. Eu, muito elegante, vestida com o uniforme de gala do Instituto de Educação.

Posso dizer, com orgulho, que participei da história do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Imagem


Devia ter ido e fiquei aqui remexendo lembranças.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Primeiro dia no 11º Salão FNLIJ




Quarta-feira foi o primeiro dia do 11º Salão do Livro só para professores. Foi essencial assistir à palestra da escritora Anna Cláudia Ramos, uma incansável lutadora pela formação de leitores de todas as idades, e à apresentação de seus lançamentos. Veja alguns:




Apenas duas horas para ver alguns títulos. Tudo muito rápido. Foi possível rever e abraçar Hermes Bernardi Jr e ouvi-lo falar emocionado de mais um lançamento O Emaranhado da Maçaroca pela Larouse e da sua espera pela chegada de Doido pra Voar (Artes e Ofícios), disponível em Braille.





Fui abraçada pela querida Sonia Rosa que também aguardava a chegada de Palmas e Vaias (Pallas) no estande da SME.


Aproveitei para espiar os trabalhos dos alunos leitores que frequentam com assiduidade a Sala de Leitura: Biografias em Construção e Leituras Escolhidas, com resenhas de livros.




Peguei em Formigas de Elaine Pasquali Cavion com ilustrações de André Neves e deixei para comprar depois porque a maquininha do cartão ainda não funcionava. Afinal, eu brincava demais com elas que fugiam desesperadas das casinhas, pontes e laguinhos que eu construía no quintal.



Dei um tchau de cumplicidade, por mais um lançamento, para o Rogério Andrade Barbosa na saída, nem pude voltar...





Corria pelas editoras que, com respeito ao professor, já estavam com seus estandes montados para nos receber com carinho. Tive que ouvir em uma delas, não sei por qual motivo, de alguém que não me conhecia, nem tinha me visto, a infeliz frase: “Professor não compra mesmo!”Ah, não ficou sem resposta e ainda dei o endereço do blog!


Embalei o filho, digo, livro do Tino Freitas, Cadê o Juízo do Menino? (Manatti), e abracei O Fazedor de Velhos de Rodrigo Lacerda, minha leitura mais recente com mais outras ao mesmo tempo. Vocês são como eu?


Almocei com pressa para não perder a van da FNLIJ, porém precisei ligar para a escola avisando que não iria porque ainda estava à espera do ônibus. Ainda olhei, mais uma vez para o hospital onde nasci e lutei para conhecer este mundão. Olhei também para as janelas, em qual eu estaria quando ouvia meu tio e padrinho dizer que ficasse observando o céu onde avistaria a cegonha chegar com minha irmã.



Decidi, então, acompanhar minha amiga à Casa da Leitura em Laranjeiras para assistir à espetacular aula de Adriana Bittencourt Guedes sobre Literatura e Cinema. Cheguei em casa cansada e nas nuvens!


Hoje, ainda não sei quando volto ao 11º Salão porque, seguindo o sábio conselho de uma tia muito amada, faço primeiro o que não gosto. Desde ontem, corrijo provas e redações de quase 130 alunos! Dei uma paradinha apenas para avisar que estou aqui. Tenho lido muita coisa e compartilhado na barra lateral pelo Twitter e Reader. É só clicar. Até...






sábado, 28 de março de 2009

O show tem que continuar



O show tem que continuar
Quem é aquela que me olha
naquele espelho?
Parece uma artista .

Representa seus papéis
De acordo com a vontade da plateia.
Papel de mãe
Papel de mulher
Papel de profissional.

Em cada tablado,
Uma cara e uma veste adequada.

Quem são aqueles observadores
prontos para aplaudir ou vaiar?

O show tem que continuar...
E ela se equilibra
No tênue fio do palco
nem sempre iluminado da vida.
Fátima Campilho

domingo, 8 de março de 2009

Todas as mulheres

Ave
Ave Maria
Ave Maria da Penha
Ave todas as Marias, Anas, Madalenas, Saras
Ave todas as Amélias, Beneditas, Severinas.

Ave todas as mulheres santas e poderosas
Perseguidas e maltratadas
abandonadas e violentadas
corajosas e discriminadas
lutadoras e sofredoras.

Ave todas as que tiveram seu grito de dor e socorro
calado à lâmina e à fogo.

Ave a todas que sobreviveram às pedradas
À surdez da sociedade
À batida do martelo.

Misericórdia!
De mãos lavadas na lama
eles sabem o que fazem.

Fátima Campilho


Neste Dia Internacional da Mulher, minha homenagem a todas as mulheres da minha vida: mãe, irmã, tias, primas, madrinha , sobrinha, afilhada, comadres, amigas e a todas as que param neste espaço virtual e aparentemente frio para compartilharem minhas alegrias, dúvidas e, sobretudo, vitórias. Ofereço também a Maria da Penha e a Ana Maria Bruni pela coragem nesta luta desigual. Ave!

Sobre a Lei Maria da Penha, ouça o áudio aqui.
Crédito da imagem no site Território Mulher.
Acompanhe o blog Lei Maria da Penha.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

E eu era feliz!

Não era bem isso o que eu queria.
Fui sendo levada pelas circunstâncias. A minha intenção, ao abrir este blog, não era ficar preparando esta salada que às vezes me incomoda. Tenho um blog pessoal no qual faço o que quero, das imagens aos textos, uma delícia, pena que falta tempo, porém não é público, somente alguns amigos têm acesso, e muito menos educativo, o verdadeiro diário, relato de experiências, impressões e reflexões pessoais.
Admiro a coragem de alguns que postam contos, crônicas e poemas na íntegra, sem autorização dos autores ou editoras, talvez seja por desconhecimento dos direitos autorais. Era exatamente isso o que  fazia quando comecei.
E eu era feliz!
Quando quero que um aluno leia um livro, faço o quê? Conto ou leio a história com o livro escancarado para que se deslumbre com as imagens e se encante com o texto. Depois é aquela farra, ou melhor, guerra. Todos querem pegar o único livro de que disponho e levar para casa . Tal qual um amigo, a intimidade é fundamental. E quando a paixão é avassaladora, nem querem devolvê-lo, é natural.
Quem se interessa por resenha? O leitor? O professor? O aluno?
Todos querem mais é ouvir uma história bem contada, um poema bem declamado, uma leitura dramatizada ou talvez representada.
É claro que não posso exibir um livro todo aqui, mesmo porque não me pertence! Mas pedir autorização para trechos, um conto ou um poema de um livro de um mesmo autor, é um pouco demais!
Não se espantem, a revolta passa. Tudo porque queria mostrar a beleza de um poema de Roseana Murray sobre o pôr-do-sol.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pôr-do-sol no Velho Chico


“A escrita deve ter nascido da necessidade de não esquecer.”
Luis Fernando Veríssimo

Anotações esparsas em pedaços de papel, quando disponíveis. O resultado não poderia ser outro: esquecimento.
Guimarães Rosa registrava a linguagem do povo em suas andanças. Levava lápis e caderno. Na maioria das vezes, eu nem levava a digital, quando estava com o celular, ainda tirava umas fotos. Estava lá para rever a família e as paisagens desde menina conhecidas. Muitas histórias para contar olho no olho, outras muito pessoais e há ainda as impublicáveis. A cada dia me convenço de que não nasci para escritora, sou mesmo uma contadora de histórias, preservo a tradição.
Este pôr-do-sol no Rio São Francisco em Piaçabuçu foi uma das mais belas imagens clicadas. Não tomei banho em suas águas, no entanto, todos os dias, ia para a beira do rio olhar aquela imensidão, observar os pescadores, as lavadeiras, o mergulho das crianças, recordar o tempo em que levava até sabonete e me assustava com o burro se refrescando e acompanhado do dono que enchia as latas para abastecer os casebres. Ah, o Velho Chico não pode acabar!
A luz se arrasta para a escuridão.
A claridade retorna e traz consigo aquela beleza de cores, formas, sons e cheiros.
A calmaria recuperou minha energia e a esperança de dias pacíficos.
O rio é dela, da minha mãe alagoana.

O rio é de todas as mulheres desta terra farta e abençoada.
O rio é do nordestino que, embora sem muitas condições de superar a miséria, tem amor às suas raízes e se mantém na terra, com uma fé só compreendida por quem convive com este povo forte do interior.
Certamente, preciso voltar muitas vezes para desvelar histórias que ficaram adormecidas na memória coletiva.








quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Discípulos

Dia do Mestre

“São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.”
Agostinho da Silva


Ai de mim se não estivesse em busca de outros sonhos que indiretamente se relacionam com o ato de educar. Estava pensando em escrever uma crônica sobre o “Dia do Mestre”, quando me deparei com as idéias do pensador português Agostinho da Silva.
Preciso ler, pesquisar e estudar mais, pensei após assistir a alguns vídeos e ler alguns textos. Certa vez me perguntaram se não tinha mais o que fazer do que ficar escrevendo em blog. Certamente, concluí. Gostaria mesmo é de fazer o que mais gosto: viajar e ler.
Então, indago:” E professor é valorizado financeiramente para fazer escolhas?” Minha viagem é aqui.
George AGOSTINHO Baptista da SILVA nasceu no Porto em 13 de Fevereiro de 1906. Em 1944, emigra para o Brasil, onde se fixa, depois de breves passagens pelo Uruguai e pela Argentina (1945-47). A sua permanência no Brasil aparece ligada a todo um notável conjunto de realizações culturais em sentido amplo, nomeadamente, a fundação do Instituto Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro, da estação ecológica do Parque Itatiaia e a criação pioneira de universidades em zonas afastadas dos grandes centros (Paraíba, Santa Catarina), do Centro Brasileiro de Estudos Portugueses na Universidade de Brasília e do Centro de Estudos Africanos e Orientais, na Baía. Lecionou nas Universidades de Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraíba, Minas Gerais, St. Catarina, Bahia e Brasília.

"Deve-se fazer uma grande diferença entre Instruir e Educar. Instruir é um parente do verbo construir. Nós vamos dando tijolo na medida em que é possível instruir alguma coisa de forma a que ele vá fazendo o edifício à sua vontade. E também não é por acaso que a palavra aluno é uma participação dum verbo que se deixou de empregar e que significa alimentar, o aluno é "aquele que nós alimentamos". A origem da palavra "alimentar" e "aluno" é exactamente a mesma. E o outro é "instruir", educar já tem um elemento que significa conduzir e até reduzir. Quando educamos não estamos a dar tudo para que ele possa construir um edifício a seu gosto, mas a reduzir o que ele era para ele viver na nossa Sociedade. A única é fazer uma outra. Estamos numa Sociedade que tem determinadas características, e evidentemente o que temos que fazer é fazer de tal maneira com que ele não fique um estranho nessa sociedade.”
Agostinho da Silva

Feita a apresentação, vamos ao vídeo escolhido: Agostinho da Silva, Portugal ao encontro do Brasil, um tributo da Companhia de Dança de Lisboa em sua memória, a partir do documentário de João Rodrigo Mattos da Alfândega. Se quiserem, assistam aos outros, talvez compreendam porque é o meu homenageado. Os mais próximos já entenderam. Tenho clara a idéia de que pessoas pensam diferente e que isto é bom se for para o bem, porém muitas se valeram da diferença para eliminar boa parte da humanidade. O inconformismo nos deixa solitários, mas quem não é? Mesmo racionais, ainda não aprendemos a viver com o outro, a compartilhar, a ser, a lutar pela liberdade de expressão.
Ofereço este post a todos os professores do grupo Blogs Educativos que acompanham o meu trabalho e estão sempre prontos a me auxiliarem, àqueles com quem compartilho minhas vitórias e angústias, e à professora portuguesa Teresa Marques, uma lutadora e inconformada como eu.

domingo, 13 de julho de 2008

Paraty, outras histórias

ou veja aqui!

Ainda sobre as igrejas, soube que eram segmentadas pela cor da pele. A Igreja de Santa Rita era para os mulatos libertos, a de Nossa Senhora das Dores era para a elite branca, a Matriz de Nossa Senhora dos Remédios destinada aos trabalhadores e pescadores brancos e a de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, onde rezei para agradecer as bênçãos e graças de todos os dias, era para os negros. Como é a única que fica aberta para as missas, estava lá domingo pela manhã e pude observar que as etnias estavam presentes em comunhão fraterna.

Cheguei e já fui vendo a maré enchendo e tomando conta das ruas, fato comum nos primeiros dias de lua nova ou cheia. A cidade foi assim construída para que houvesse uma limpeza natural. Quando as marés são muito fortes e coincidem com as chuvas, os rios transbordam e as águas ocupam todo o Centro Histórico. As casas são construídas acima do nível da rua por causa das marés.

A antiga vila foi planejada seguindo os padrões portugueses onde as igrejas serviam de balizamento e pólo de atração residencial. As ruas não são retas. A leve curvatura era necessária para evitar que o vento encanado trouxesse doenças como a cólera e a febre amarela e invadisse as casas. As construções são quase todas da cor branca e não há números, algumas contêm ladrilhos com nome dos moradores: Casa de Dona Fulana.

Hospedei-me na Rua Dona Geralda, antiga Rua da Praia e do Mercado, num dos albergues da região, ao lado da Casa de Cultura. Cai por terra a idéia de que no Brasil não há o hábito de freqüentá-los porque havia uma minoria de estrangeiros. O proprietário é inglês e está há oito anos em Paraty, não fala português e nos observa com aquele olhar curioso e indecifrável.

Quis logo saber quem foi Dona Geralda e me contaram uma história de outra paratiense ilustre. Imagine se não pesquiso e ponho a história aqui! Dona Geralda Maria da Silva nasceu em 1807 e faleceu em 1890. Seus pais foram donos da Fazenda Bananal, deixando grande herança em terras, casas, escravos, dinheiro e títulos de dívida ativa. Sem nunca ter casado, dedicou boa parte de sua vida ajudando os necessitados. Foi com sua ajuda financeira que após 86 anos conseguiram finalizar a construção da Igreja Matriz. Em 1882 a Câmara Municipal decidiu homenageá-la colocando seu nome na rua onde morava, a qual modestamente recusou (sem ser atendida). Em 1864 o imperador D. Pedro II a nomeou com o título de Dona Honorária de Palácio pelos “distintos serviços prestados à religião”. Em seu inventário deixou grande parte de sua fortuna para as irmandades das igrejas, para a Santa Casa da Misericórdia, para familiares, amigos e escravos.

Fiquei circulando pela cidade sozinha, embora me encontrasse com a única amiga que foi acompanhada do marido, mas se hospedou em pousada fora do Centro Histórico. Quase fui assaltada quando voltava do show de Luiz Melodia. Saí antes de terminar porque era impossível entrar no banheiro químico às escuras. Era dia da final da Libertadores e as ruas estavam vazias. Ouvi passos, mas não olhei para trás. Enfiei a mão naquela bolsa enorme e rapidamente encontrei a chave. Como tenho o hábito de pensar em voz alta, quero dizer, falo sozinha mesmo, penso que aquele homem forte e negro achou que eu conversava com alguém do outro lado da porta, passou direto, sob o meu olhar, entrando na primeira esquina sem que me fitasse. Um minuto antes, havia colocado algo volumoso nas costas que poderia ser uma arma. Minhas orações diárias a Deus por proteção salvaram-me mais uma vez. Se eu já soubesse dos fantasmas que circulam pelas ruas, teria desmaiado, pensando que fosse um deles! Tenho medo mesmo é da maldade dos vivos, mas minha imaginação me prega muitas peças.

Achei interessante o nome da Rua do Fogo. Perguntei a uma moradora que falou sobre um incêndio. Continuei indagando, algo me dizia que a história não era bem esta, até que alguém sorriu marotamente e contou que era a rua dos prostíbulos para os marinheiros que aportavam. Como faz esquina com a igreja, acredito que a expiação se dava na partida.

Para encerrar, o encontro do rio Perequê-Açu com o mar, embarcações e a bela Baía de Paraty. Ah, preparada para defender a antiga vila dos piratas com o canhão nas mãos!






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