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domingo, 9 de junho de 2013

Conchas



CONCHAS
Hermes Bernardi Jr.
Edelbra



Cresci com cheiro de maresia em praia de águas mansas. Achava que podia pescar peixinhos com as mãos. Colecionava conchinhas. Medrosa, aprendi a boiar. Nadar, não, porque mar é para se respeitar, ouvia de mamãe criada em águas de rio e mar. Um dia soube que ele havia levado um certo menino valente com nome de profeta.
Do eloquente Hermes, mensageiro da palavra e guia dos vivos rumo ao mundo dos sonhos, descobri por que guardava meus segredos e histórias em caixas. Agora, passo a amar as conchas com meus olhos ainda úmidos de maresia através de suas palavras sensivelmente construídas. Debruço-me sobre seus papéis rasgados e transformados em pura Arte.  Literatura e Arte se complementam em CONCHAS, sua primeira história de personagem feminina,  a Valentina, filha de pescadores e ouvidora das histórias contadas pelas conchas.  Menina de valentias e medos com seu “ jeito de viver inventado numa primeira água do pensamento”. No movimento das ondas, conheceu Diogo, menino medroso da cidade que veio morar fechado entre janelas e portas de um prédio contruído onde havia uma palmeira. E este menino bobo soube mostrar-se corajoso e delicado para entender a dor da amiga e salvá-la do Rei do Mar.
Ponho minhas mãos em concha e escuto o suave murmurar das águas cristalinas da minha ilha. Apuro os sentidos e ouço histórias de minha infância. Recupero a memória e começo a escrever as minhas histórias. Suspiro aliviada na marola  da palavra.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Valsa de uma cidade

Minha cidade é indiscutivelmente bela. Pergunte a minha mamãe nordestina se quer voltar para sua terra. Cresci ouvindo minha querida dizer "O Rio de Janeiro é lindo!". No entanto, de maravilhosa ,deixa a desejar há muito tempo. Pelo menos hoje, dia do aniversário da cidade, vou ouvir Rita Lee cantar "Valsa de uma cidade" para espantar os urubus e atrair boas energias.



VALSA DE UMA CIDADE
Composição: Ismael Netto / Antônio Maria


Vento do mar no meu rosto
E o sol a brilhar, brilhar
Calçada cheia de gente
A passar e a me ver passar
Rio de janeiro, gosto de você
Gosto de quem gosta
Deste céu, desse mar,
Dessa gente feliz
Bem que eu quis escrever
Um poema de amor e o amor
Estava em tudo que eu quis
Em tudo quanto eu amei
E no poema que eu fiz
Tinha alguém mais feliz que eu
O meu amor
Que não me quis
Em tudo quanto eu amei
E no poema que eu fiz
Tinha alguém mais feliz que eu
O meu amor.



domingo, 26 de julho de 2009

Muitos anos de vida



"Somos todos escritores, só que alguns escrevem e outros não."
(José Saramago
)




Ontem foi Dia do Escritor e se Saramago tem razão estou perdida.

Foi também dia de São Tiago e São Cristóvão. "Fiz anos" e sinto-me protegida.

Olhem só que mensagem legal recebi no Orkut.


Mania de Scraps

Tomara que eu tenha ainda muitos anos para me arrepender!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Theatro Municipal faz 100 anos


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Eu devia ter ido.
Hoje tive um dia intenso de trabalho. O cansaço e a distância impediram minha ida ao Teatro Municipal nesta noite.
Lembro-me de pelo menos três vezes em que entrei neste suntuoso teatro. Uma para assistir à ópera Carmem, outra para vibrar com o ballet O Quebra Nozes e a primeira de todas foi quando depositei minha emoção e esperança na profissão que escolhi. Isto aconteceu durante minha formatura sem anel e sem fotos aos dezessete anos. Lá estavam meus pais orgulhosos. Eu, muito elegante, vestida com o uniforme de gala do Instituto de Educação.

Posso dizer, com orgulho, que participei da história do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Imagem


Devia ter ido e fiquei aqui remexendo lembranças.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Primeiro dia no 11º Salão FNLIJ




Quarta-feira foi o primeiro dia do 11º Salão do Livro só para professores. Foi essencial assistir à palestra da escritora Anna Cláudia Ramos, uma incansável lutadora pela formação de leitores de todas as idades, e à apresentação de seus lançamentos. Veja alguns:




Apenas duas horas para ver alguns títulos. Tudo muito rápido. Foi possível rever e abraçar Hermes Bernardi Jr e ouvi-lo falar emocionado de mais um lançamento O Emaranhado da Maçaroca pela Larouse e da sua espera pela chegada de Doido pra Voar (Artes e Ofícios), disponível em Braille.





Fui abraçada pela querida Sonia Rosa que também aguardava a chegada de Palmas e Vaias (Pallas) no estande da SME.


Aproveitei para espiar os trabalhos dos alunos leitores que frequentam com assiduidade a Sala de Leitura: Biografias em Construção e Leituras Escolhidas, com resenhas de livros.




Peguei em Formigas de Elaine Pasquali Cavion com ilustrações de André Neves e deixei para comprar depois porque a maquininha do cartão ainda não funcionava. Afinal, eu brincava demais com elas que fugiam desesperadas das casinhas, pontes e laguinhos que eu construía no quintal.



Dei um tchau de cumplicidade, por mais um lançamento, para o Rogério Andrade Barbosa na saída, nem pude voltar...





Corria pelas editoras que, com respeito ao professor, já estavam com seus estandes montados para nos receber com carinho. Tive que ouvir em uma delas, não sei por qual motivo, de alguém que não me conhecia, nem tinha me visto, a infeliz frase: “Professor não compra mesmo!”Ah, não ficou sem resposta e ainda dei o endereço do blog!


Embalei o filho, digo, livro do Tino Freitas, Cadê o Juízo do Menino? (Manatti), e abracei O Fazedor de Velhos de Rodrigo Lacerda, minha leitura mais recente com mais outras ao mesmo tempo. Vocês são como eu?


Almocei com pressa para não perder a van da FNLIJ, porém precisei ligar para a escola avisando que não iria porque ainda estava à espera do ônibus. Ainda olhei, mais uma vez para o hospital onde nasci e lutei para conhecer este mundão. Olhei também para as janelas, em qual eu estaria quando ouvia meu tio e padrinho dizer que ficasse observando o céu onde avistaria a cegonha chegar com minha irmã.



Decidi, então, acompanhar minha amiga à Casa da Leitura em Laranjeiras para assistir à espetacular aula de Adriana Bittencourt Guedes sobre Literatura e Cinema. Cheguei em casa cansada e nas nuvens!


Hoje, ainda não sei quando volto ao 11º Salão porque, seguindo o sábio conselho de uma tia muito amada, faço primeiro o que não gosto. Desde ontem, corrijo provas e redações de quase 130 alunos! Dei uma paradinha apenas para avisar que estou aqui. Tenho lido muita coisa e compartilhado na barra lateral pelo Twitter e Reader. É só clicar. Até...






terça-feira, 19 de maio de 2009

FLIST


Não fui de bonde. Cheguei cedo e os espertos de plantão estavam de olho. Os meus também. Desisti. Atravessei o Largo da Carioca e peguei o ônibus. Paisagem linda. Santa Teresa respira cultura e arte.
Pernas preparadas rumo ao Castelinho 38 para saborear o café e ouvir Lygia Bojunga. Um deleite. Saímos emocionados com a leitura de A Troca. Eu, mais ainda, com Dos Vinte 1, uma seleção de Lygia de capítulos ou trechos de todos os vinte livros escritos, uma “procura, subjetiva, por preferências e satisfações com meu texto”.
Em seguida, parti para o Centro Cultural Laurinda Santos Lobo para assistir à palestra de Chico Alencar, Isabel Lustosa e Patrícia Corsino sobre Leitura e Cidadania. Falaram de como se tornaram leitores e da importância do livro para formar cidadãos. Chico é essencialmente professor. Levou trechos de escritores como Rubem Alves e terminou com uma bela canção de Milton Nascimento. Saí correndo, com três livros vendidos a um real (o que sobra para o autor!), para a Livraria Largo das Letras. Queria participar da Oficina com os ilustradores Graça Lima, Mariana Massarani e Roger Mello. Ivan Zigg também estava lá e participou do alegre bate-papo com a criançada presente. Não consegui comprar novamente Vizinho, Vizinha. Saí derrotada. Fica para o Salão do Livro.
Hora do recreio! Fila no Bar do Mineiro. Uma delícia a feijoada regada à ...Deixa pra lá!
Voltei sonolenta à livraria para conversar com a professora, contadora de histórias e escritora Sonia Rosa. Já fiz muita oficina com o que aprendi com esta pessoa maravilhosa. Toda vez que conto A Princesa e a Ervilha de Andersen, levo a ervilha para as crianças colocarem debaixo do colchão! Fiquei com O tesouro de Monifa que ela trouxe na bolsa! É meu!
Cafezinho e sobe ladeira! Sala cheia, fiquei do lado de fora esticando as orelhas para ouvir as muitas histórias contadas por Ferreira Gullar e algumas contadas por Ondjaki. Ficaria um dia inteiro e mais outro. O poeta é incrível. Voltei sem o Poema Sujo de Gullar e trouxe Os da minha rua de Ondjaki.
Não vi tudo o que queria. Encontrei uma casa com porão para comprar. Nem anotei o número do celular. Só tinha a fachada, atrás, só mato! Nem tudo é perfeito.

sábado, 28 de março de 2009

O show tem que continuar



O show tem que continuar
Quem é aquela que me olha
naquele espelho?
Parece uma artista .

Representa seus papéis
De acordo com a vontade da plateia.
Papel de mãe
Papel de mulher
Papel de profissional.

Em cada tablado,
Uma cara e uma veste adequada.

Quem são aqueles observadores
prontos para aplaudir ou vaiar?

O show tem que continuar...
E ela se equilibra
No tênue fio do palco
nem sempre iluminado da vida.
Fátima Campilho

domingo, 8 de março de 2009

Todas as mulheres

Ave
Ave Maria
Ave Maria da Penha
Ave todas as Marias, Anas, Madalenas, Saras
Ave todas as Amélias, Beneditas, Severinas.

Ave todas as mulheres santas e poderosas
Perseguidas e maltratadas
abandonadas e violentadas
corajosas e discriminadas
lutadoras e sofredoras.

Ave todas as que tiveram seu grito de dor e socorro
calado à lâmina e à fogo.

Ave a todas que sobreviveram às pedradas
À surdez da sociedade
À batida do martelo.

Misericórdia!
De mãos lavadas na lama
eles sabem o que fazem.

Fátima Campilho


Neste Dia Internacional da Mulher, minha homenagem a todas as mulheres da minha vida: mãe, irmã, tias, primas, madrinha , sobrinha, afilhada, comadres, amigas e a todas as que param neste espaço virtual e aparentemente frio para compartilharem minhas alegrias, dúvidas e, sobretudo, vitórias. Ofereço também a Maria da Penha e a Ana Maria Bruni pela coragem nesta luta desigual. Ave!

Sobre a Lei Maria da Penha, ouça o áudio aqui.
Crédito da imagem no site Território Mulher.
Acompanhe o blog Lei Maria da Penha.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

E eu era feliz!

Não era bem isso o que eu queria.
Fui sendo levada pelas circunstâncias. A minha intenção, ao abrir este blog, não era ficar preparando esta salada que às vezes me incomoda. Tenho um blog pessoal no qual faço o que quero, das imagens aos textos, uma delícia, pena que falta tempo, porém não é público, somente alguns amigos têm acesso, e muito menos educativo, o verdadeiro diário, relato de experiências, impressões e reflexões pessoais.
Admiro a coragem de alguns que postam contos, crônicas e poemas na íntegra, sem autorização dos autores ou editoras, talvez seja por desconhecimento dos direitos autorais. Era exatamente isso o que  fazia quando comecei.
E eu era feliz!
Quando quero que um aluno leia um livro, faço o quê? Conto ou leio a história com o livro escancarado para que se deslumbre com as imagens e se encante com o texto. Depois é aquela farra, ou melhor, guerra. Todos querem pegar o único livro de que disponho e levar para casa . Tal qual um amigo, a intimidade é fundamental. E quando a paixão é avassaladora, nem querem devolvê-lo, é natural.
Quem se interessa por resenha? O leitor? O professor? O aluno?
Todos querem mais é ouvir uma história bem contada, um poema bem declamado, uma leitura dramatizada ou talvez representada.
É claro que não posso exibir um livro todo aqui, mesmo porque não me pertence! Mas pedir autorização para trechos, um conto ou um poema de um livro de um mesmo autor, é um pouco demais!
Não se espantem, a revolta passa. Tudo porque queria mostrar a beleza de um poema de Roseana Murray sobre o pôr-do-sol.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pôr-do-sol no Velho Chico


“A escrita deve ter nascido da necessidade de não esquecer.”
Luis Fernando Veríssimo

Anotações esparsas em pedaços de papel, quando disponíveis. O resultado não poderia ser outro: esquecimento.
Guimarães Rosa registrava a linguagem do povo em suas andanças. Levava lápis e caderno. Na maioria das vezes, eu nem levava a digital, quando estava com o celular, ainda tirava umas fotos. Estava lá para rever a família e as paisagens desde menina conhecidas. Muitas histórias para contar olho no olho, outras muito pessoais e há ainda as impublicáveis. A cada dia me convenço de que não nasci para escritora, sou mesmo uma contadora de histórias, preservo a tradição.
Este pôr-do-sol no Rio São Francisco em Piaçabuçu foi uma das mais belas imagens clicadas. Não tomei banho em suas águas, no entanto, todos os dias, ia para a beira do rio olhar aquela imensidão, observar os pescadores, as lavadeiras, o mergulho das crianças, recordar o tempo em que levava até sabonete e me assustava com o burro se refrescando e acompanhado do dono que enchia as latas para abastecer os casebres. Ah, o Velho Chico não pode acabar!
A luz se arrasta para a escuridão.
A claridade retorna e traz consigo aquela beleza de cores, formas, sons e cheiros.
A calmaria recuperou minha energia e a esperança de dias pacíficos.
O rio é dela, da minha mãe alagoana.

O rio é de todas as mulheres desta terra farta e abençoada.
O rio é do nordestino que, embora sem muitas condições de superar a miséria, tem amor às suas raízes e se mantém na terra, com uma fé só compreendida por quem convive com este povo forte do interior.
Certamente, preciso voltar muitas vezes para desvelar histórias que ficaram adormecidas na memória coletiva.








domingo, 13 de julho de 2008

Paraty, outras histórias

ou veja aqui!

Ainda sobre as igrejas, soube que eram segmentadas pela cor da pele. A Igreja de Santa Rita era para os mulatos libertos, a de Nossa Senhora das Dores era para a elite branca, a Matriz de Nossa Senhora dos Remédios destinada aos trabalhadores e pescadores brancos e a de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, onde rezei para agradecer as bênçãos e graças de todos os dias, era para os negros. Como é a única que fica aberta para as missas, estava lá domingo pela manhã e pude observar que as etnias estavam presentes em comunhão fraterna.

Cheguei e já fui vendo a maré enchendo e tomando conta das ruas, fato comum nos primeiros dias de lua nova ou cheia. A cidade foi assim construída para que houvesse uma limpeza natural. Quando as marés são muito fortes e coincidem com as chuvas, os rios transbordam e as águas ocupam todo o Centro Histórico. As casas são construídas acima do nível da rua por causa das marés.

A antiga vila foi planejada seguindo os padrões portugueses onde as igrejas serviam de balizamento e pólo de atração residencial. As ruas não são retas. A leve curvatura era necessária para evitar que o vento encanado trouxesse doenças como a cólera e a febre amarela e invadisse as casas. As construções são quase todas da cor branca e não há números, algumas contêm ladrilhos com nome dos moradores: Casa de Dona Fulana.

Hospedei-me na Rua Dona Geralda, antiga Rua da Praia e do Mercado, num dos albergues da região, ao lado da Casa de Cultura. Cai por terra a idéia de que no Brasil não há o hábito de freqüentá-los porque havia uma minoria de estrangeiros. O proprietário é inglês e está há oito anos em Paraty, não fala português e nos observa com aquele olhar curioso e indecifrável.

Quis logo saber quem foi Dona Geralda e me contaram uma história de outra paratiense ilustre. Imagine se não pesquiso e ponho a história aqui! Dona Geralda Maria da Silva nasceu em 1807 e faleceu em 1890. Seus pais foram donos da Fazenda Bananal, deixando grande herança em terras, casas, escravos, dinheiro e títulos de dívida ativa. Sem nunca ter casado, dedicou boa parte de sua vida ajudando os necessitados. Foi com sua ajuda financeira que após 86 anos conseguiram finalizar a construção da Igreja Matriz. Em 1882 a Câmara Municipal decidiu homenageá-la colocando seu nome na rua onde morava, a qual modestamente recusou (sem ser atendida). Em 1864 o imperador D. Pedro II a nomeou com o título de Dona Honorária de Palácio pelos “distintos serviços prestados à religião”. Em seu inventário deixou grande parte de sua fortuna para as irmandades das igrejas, para a Santa Casa da Misericórdia, para familiares, amigos e escravos.

Fiquei circulando pela cidade sozinha, embora me encontrasse com a única amiga que foi acompanhada do marido, mas se hospedou em pousada fora do Centro Histórico. Quase fui assaltada quando voltava do show de Luiz Melodia. Saí antes de terminar porque era impossível entrar no banheiro químico às escuras. Era dia da final da Libertadores e as ruas estavam vazias. Ouvi passos, mas não olhei para trás. Enfiei a mão naquela bolsa enorme e rapidamente encontrei a chave. Como tenho o hábito de pensar em voz alta, quero dizer, falo sozinha mesmo, penso que aquele homem forte e negro achou que eu conversava com alguém do outro lado da porta, passou direto, sob o meu olhar, entrando na primeira esquina sem que me fitasse. Um minuto antes, havia colocado algo volumoso nas costas que poderia ser uma arma. Minhas orações diárias a Deus por proteção salvaram-me mais uma vez. Se eu já soubesse dos fantasmas que circulam pelas ruas, teria desmaiado, pensando que fosse um deles! Tenho medo mesmo é da maldade dos vivos, mas minha imaginação me prega muitas peças.

Achei interessante o nome da Rua do Fogo. Perguntei a uma moradora que falou sobre um incêndio. Continuei indagando, algo me dizia que a história não era bem esta, até que alguém sorriu marotamente e contou que era a rua dos prostíbulos para os marinheiros que aportavam. Como faz esquina com a igreja, acredito que a expiação se dava na partida.

Para encerrar, o encontro do rio Perequê-Açu com o mar, embarcações e a bela Baía de Paraty. Ah, preparada para defender a antiga vila dos piratas com o canhão nas mãos!






quinta-feira, 10 de julho de 2008

Paraty, primeiras histórias




Não poderia deixar de ir à FLIP em Paraty e, antes de começar a tecer comentários sobre as mesas assistidas e palestras da Flipinha, a falar dos “livros que não li”, numa referência ao livro do psicanalista e professor de literatura Pierre Bayard, autor de Como falar dos livros que não lemos, vou mostrar algumas imagens da bela cidade, citar algumas referências históricas e fazer o que mais gosto: contar as histórias que ouvi e vivi.
Enquanto procurava uma fonte para fotografar, perguntei a um jovem se queria ouvir uma história. Desconfiado, se aproximou. O que será que ele pensou? Ao terminar a lenda, ele disse que morava em Paraty desde os nove anos e nunca tinha ouvido falar dela e nem sabia onde ficava a tal fonte.

A noiva de Paraty

Contam que quando se viram, numa bela manhã de inverno, diante da festa da desova dos peixes parati, naquelas águas cristalinas da baía, entenderam que seus destinos estavam irremediavelmente cruzados. Só não imaginavam que fosse daquele jeito.
Resolveram se casar na Igreja de Santa Rita que testemunhara a doçura daquele amor. Marcaram o dia, mas ela não apareceu. Ele esperou, sentado numa pedra, a noiva que não viria. Ela havia morrido inexplicavelmente e, como era o costume da época, foi logo enterrada na mesma igreja. Passou a noite ali mesmo. O sal de suas lágrimas misturava-se ao das águas. Viu uma moça passar e desaparecer no mar. Ela dizia: “Estou com sede, com sede, com sede”.
Esperou o dia amanhecer e pediu desesperadamente que a desenterrassem. Não foi atendido e cavou aflito na esperança de encontrá-la viva. Foi então que ela surgiu com suas mãos voltadas para cima e muito feridas. Havia morrido de sede. Para saciá-la, construiu a fonte que fica ao lado da pedra, onde ele a vira passar e partir definitivamente.




Esta foi a história que ouvi, mas há uma outra versão porque quem conta um conto acrescenta, omite ou inventa um ponto. Certo é que quando cheguei lá, fui logo sentando naquela pedra para descansar. A fonte ou o chafariz estão aí ao lado. Como ainda não sabia da história e pela minha habitual distração, não percebi!


“Em meados do século XIX, um jovem casal apaixonado marcou casamento na igreja Santa Rita. Sem ninguém saber o porquê, a noiva morreu poucas horas antes de ir para o altar.
Dois dias depois, o noivo acorda desesperado, implorando para abrirem o caixão - enterrado na própria igreja - dizendo que a sua amada o estava chamando. Os amigos, achando que ele estava ficando louco, tentaram acalmá-lo, mas não abriram o caixão. Durante muito tempo, pessoas que passaram a noite no largo da igreja Santa Rita, dizem terem visto um fantasma vestido de noiva bebendo água no chafariz localizado em frente à igreja.
Muitos anos depois, quando foram retirar os restos mortais, perceberam que o esqueleto estava virado, significando que a noiva deve ter morrido de sede dentro do caixão. O padre da igreja, para evitar que o fantasma continuasse saindo para beber água, mandou fazer um poço dentro da igreja. O fantasma nunca mais foi visto fora da igreja. O chafariz do largo e o poço da igreja existem e estão no mesmo lugar até hoje.”
Outras lendas e mitos do lugar poderão ser lidos aqui.



Esta que vem caminhando não é a noiva de Paraty. É a Teresa, uma professora que conheci no ônibus. Ele não é o noivo. É um desconhecido que lia um livro e parou para nos observar. Também, fiz tanto barulho para fotografar! Aproveite para observar a maré enchendo e ocupando as ruas da cidade.


A igreja da Santa Rita, foi aberta ao público em 1722, tornando-se a mais antiga igreja de Paraty devido às demolições da Capela de São Roque, das antigas igrejas Matriz e da igreja de Nossa Senhora do Mamanguá. Numa construção anexa à igreja, está o cemitério da Irmandade, construído no século XIX. Existe nesse anexo um poço de água transparente que muitos acreditam ser milagrosa. Assim como todas as igrejas de Paraty, esta possui fachada voltada para o mar. Atualmente a Igreja da Santa Rita vem sendo utilizada para concertos, peças de teatro, exposições e conferências. Nos fundos da igreja está o Museu de Arte Sacra.

Não tive tempo para visitar o museu, o cemitério e verificar a água milagrosa do poço. Bem que gostaria. Não vejo a hora de voltar como turista!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Meu primeiro Lobato




O livro foi presente de aniversário da prima-madrinha querida. Foi lido aos nove anos com o encantamento de quem só tinha um outro de contos de fadas ingleses que era lido inúmeras vezes.
Desde aquela época que penso em escrever as minhas memórias. Recordar é tornar a passar pelo coração. Contar e escrever as nossas histórias é um desafio por ser um reencontro com a alegria e a dor. Torna-se um mergulho necessário, pois emergimos revitalizados. Nossas histórias nos pertencem e estão inundadas de sentidos. Experiências, brincadeiras, viagens, festas, sonhos e histórias ouvidas são imagens que podem ser revividas se transformadas em ilustrações ou narrativas. Já perceberam que estamos impregnados de narrativas imagéticas dos nossos ritos de passagem? Comecemos por eles.
E
"para confundir os historiadores, gente muito mexeriqueira", procure "ocultar a idade" e " como bem sei que tudo na vida não passa de mentiras, e sei também que é nas memórias que os homens mentem mais. Logo, tem que mentir com muita manha, para dar a idéia de que está falando a verdade pura". A sugestão do Visconde é começar como As Aventuras de Robinson Crusoé: "Nasci no ano de l632, na cidade de Iorque, filho de gente arranjada..."
Não importa. Como disse Drummond, você vai descobrir que a SUA história é a mais bonita.
Então, escreva as suas memórias porque
"...se gostarem delas muito bem. Se não gostarem pílulas!"

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Relato de Viagem



Trio Perfeito

Ah, o mar! Sinto-me revigorada para começar o ano com os pés no chão e a cabeça nas nuvens, mas a chuva caía inexorável, quase não deu crédito aos meus apelos. Apenas dois dias de sol tímido e muitos mergulhos.



Pensei que fosse voltar de lá com a pele negra cheirando a mar. Retornei com a mesma ladainha de sempre. Fazer o quê? Sou assim mesmo.








Bom foi acompanhar o movimento das ondas, escutar seu barulho fora da concha, comover-se com o crepúsculo e observar de longe o Forte de São Mateus iluminado.



Cabo Frio é meu paraíso e também dos mineiros. Cidade pequena com a agitação dos grandes centros durante as férias. Muitos turistas e belas praias.











Dessa vez deu para conversar com o artista plástico Ivan Cruz e sua simpática mulher. Um dia compro uma de suas telas  com aquelas crianças sem rosto brincando na rua como faziam todas as crianças do meu teu tempo.













Minha infância – quanta gostosura - com brinquedos construídos por nós mesmos. Barquinhos de papel para os dias de enxurrada e carrinhos de rolimã para os dias de sol.






Quem vivenciou, sabe do que estou falando. As crianças de hoje, não. O tempo não para, os brinquedos são outros, entretanto as coisas simples nos faziam muito felizes. Acredito que é possível resgatá-las.




Enquanto isso...
Uso as novas tecnologias - celular e escaner - para mostrar minhas fotos e as esculturas e miniaturas do Ivan. Não é um paradoxo!?



Saldo positivo. Trio perfeito: mar, brincadeira e arte.
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